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A gente se acostuma com o fim do mundo

8 mar

…Você se habitua a ver todos os dias o céu despencando e o ar virando fogo, os pulmões explodindo e o crânio se partindo ao meio. Não fazemos tudo isso de verdade, não, mas tudo isso se torna um elemento a ser considerado. Principalmente quando você é o único a perceber que as águas do Sena viraram sangue, e a moça da padaria ou a sua secretária, sem sequer imaginarem o massacre que o esmaga nesse instante, perguntam sorrindo “está tudo bem?”. Sim, está tudo bem, a gente se acostuma com o fim do mundo.”

Assim como em Como me tornei estúpido, Martin Page traz em A gente se acostuma com o fim do mundo histórias engraçadas, bizarras, cotidianas com um toque (ou um balde) de ironia, o que faz com que seus livros pareçam mais “leves”, outros dizem até que são “bobos” e talvez essa seja a intenção…

Page joga as tragédias da vida na cara do leitor e faz delas comédia, porque a gente realmente se acostuma com barbaridades; nos acostumamos a viver uma vida que não é a que queremos, a fazer coisas que os outros julgam melhores, a deixar as coisas como estão por medo do novo… mas ainda em tempo, mostra que medos existem e devem ser superados e recomeços são possíveis.

 

É possível também que eu estivesse passando por um momento tenso quando lí esse livro. De qualquer forma, gostei! E vale deixar o registro para almas perdidas que possam se interessar.

 

 

 

Martin Page – A gente se acostuma com o fim do mundo

O Diabo Veste Prada

23 fev

Não importa se no livro ou no filme a história é basicamente a seguinte:

Andrea Sachs (Anne Hathaway ) acaba de se formar em jornalismo e consegue um emprego como assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep), a editora-chefe da mais famosa revista de moda, a  Runway.

“O emprego que um milhão de garotas daria a vida pra conseguir”

Saindo-se bem na Runway, um milhão de oportunidades surgirão e o sonho de Andrea estará mais próximo de ser alcançado, entretanto, ser assistente de Miranda não é uma tarefa tão simples e a cada minuto ao seu lado,  fica mais fácil perceber que o preço a ser pago pelo sucesso pode ser alto.

 

 

Como em qualquer adaptação para o cinema, não esperei  fidelidade total a história e acho que também não me importei muito por ter visto o filme antes de ler a obra.  Mas algo  que me chamou a atenção durante a leitura, foi a personagem Andrea, que é loira, debochada, fumante, tem uma amiga alcoólatra e um namorado perfeito e que na adaptação para as telas foi transformada em uma garota que me pareceu comportada demais, com medo demais e “atitude” de menos.

Não estou dizendo que a personagem original seja a senhora “Oi, eu sempre sei o que eu tô fazendo”, ela é só normal. Arrisca, quebra a cara, xinga, magoa, pede desculpas, não dá tanto valor no namorado que tem e nem sempre está ali quando a melhor amiga precisa. E é tudo isso que faz com que ela pareça mais “real” e até melhor.

 

O Diabo Veste Prada foi o livro que escolhi pra abrir as leituras de 2011 por ser uma leitura leve e fácil. Gostei bastante e recomendo pra quem tá afim de algo leve e ainda assim interessante.

 

 

 

O Diabo Veste Prada – Lauren Weisberger

Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos – Rubem Fonseca

4 set

Enquanto passeava pela internet e visitava alguns blogs interessantes, me deparei com uma indicação de leitura do O Bule. O nome do livro me chamou a atenção e logo fui procurar mais informações sobre a obra. Fiquei chocada.  Nunca tinha ouvido falar de Rubem Fonseca na minha vida e olha que o cara ganhou o Prêmio Camões, Prêmio Jabuti e ainda outros.

Eis que nesse mundo de Vastas emoções e pensamentos imperfeitos, é que vive nosso narrador, um cineasta que sonha sem imagens, morador do Rio de Janeiro,  que se culpa pela morte da mulher e que entre sonhos, mortes e outros estranhos acontecimentos, está sendo perseguido por ter em mãos as pedras preciosas que  são procuradas por uma quadrilha de contrabandistas.

Em paralelo a perseguição, o cineasta está envolvido na adaptação para o cinema do livro Cavalaria vermelha do escritor Isaac Bábel, e é convidado a viajar para a  Alemanha, onde o filme deverá ser gravado. Pela paixão por Bábel e também para fugir de seus perseguidores, o cineasta embarca nessa viagem, onde descobre que Bábel havia escrito um outro livro, e este havia sido mantido como documento confidencial pela polícia Russa até ser roubado. Descobre ainda que Plessner, o famoso produtor pra quem está trabalhando, sabe quem tem o livro em mãos e que sua real função na história é recuperá-lo.

É claro que não é só isso, nosso cineasta é um “boa pinta” e sempre há alguma moça que possa proporcionar-lhe momentos agradáveis. E é quase sempre sobre elas que o narrador reflete, mostrando-nos seus pensamentos intimos e luxuriosos.

Em seus livros, Rubem Fonseca retrata a luxúria e a violência urbana de forma “seca e direta”, o que a princípio  me deixou um pouco desconfortável. A forma como expõe algumas características nem sempre virtuosas de seus personagens, causa certa estranheza nos desavisados ou desacostumados.

Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos é o título perfeito pra obra. As vontades do homem e os riscos que ele corre ao tentar satisfazê-las, os desejos secretos, os sonhos e as confusões são bem  expostos aqui. A leitura flui  bem e quando você se dá conta o livro já está no final. Entretanto, terminei o livro e algumas dúvidas surgiram, precisava de algumas respostas que o autor não me deu, ainda assim, fico aqui com a sensação de que não são “pontos sem nós”.

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